Dados do LocalBitcoins sugerem que o Bitcoin está sendo usado como Satoshi queria

Published on
23/5/19
by
Fernando Tancredi

Recentemente, em um artigo publicado no Medium, Matt Ahlborg fez uma pesquisa completa dos dados da plataforma LocalBitcoins, focada em compra e venda de bitcoins peer-to-peer (P2P). Analisando os volumes de negociação desde 2013, os resultados da pesquisa indicam que o Bitcoin tem sido utilizado como Satoshi Nakamoto, seu criador, queria.

Em sua pesquisa, Matt quis fornecer uma análise precisa dos volumes de negociação do LocalBitcoins, descrevendo e implementando uma nova métrica que reflete o verdadeiro impacto que o Bitcoin está alcançando em diversos países. Em seu artigo, ele mostra tendências sobre a utilidade do Bitcoin, comparando-as com indicadores socioeconômicos ao redor do mundo, que revelam que a criptomoeda de Satoshi tem sido realmente usada para transferências rápidas e baratas entre pessoas, e não apenas para fins especulativos em exchanges tradicionais.

A escolha pela plataforma LocalBitcoins (LBC) se deu pelo fato de que, ao contrário de exchanges, negociar bitcoins pelo LBC é custoso. No geral, as negociações de bitcoin por lá acontecem com preços em média 4,5% maiores, e a diferença entre os preços de compra e venda são constantemente grandes, especialmente em países subdesenvolvidos. Além disso, as negociações no LBC são apenas entre moedas fiat e criptomoedas, sem negociações cripto-cripto. Por isso, menos usuários utilizam o LocalBitcoins como uma forma de especular sobre o preço das criptomoedas, mas mais como uma forma de entrarem em contato com o Bitcoin pela primeira vez.

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LocalBitcoins movimentou US$3.1bi em 2018

Matt calculou que o total movimentado na plataforma do LocalBitcoins em 2018 foi de 440.000 BTC, equivalentes a cerca de US$3.1bi. Os países e regiões com maior volume negociado no ano passado foram:

  1. Rússia
  2. Estados Unidos
  3. China
  4. Venezuela
  5. Nigéria
  6. Zona do Euro
  7. Colômbia
  8. Canadá
  9. Índia
  10. Austrália
  11. África do Sul
  12. Malásia
  13. Tailândia
  14. Peru
  15. Ucrânia

O Brasil ficou na posição 21, com US$21mi negociados. Aqui no blog do app Passfolio, já analisamos os volumes negociados em exchanges em 2018 neste artigo.

Em sua pesquisa inédita, Matt também agrupou os volumes negociados de bitcoin para cada região ao redor do mundo, de 2013 a 2018 (se estiver usando o celular, visualize na horizontal):

 

Pelo gráfico, o autor analisa alguns pontos e tendências. Primeiramente, ele verifica que ainda há certa especulação de preço em alguns países, e países desenvolvidos da América do Norte e da Europa Ocidental foram os primeiros a apresentar picos de volume negociado, após a bolha de 2013, mas foram logo ultrapassados por regiões menos desenvolvidas. Além disso, a negociação na América Central e na América do Sul tem sido impulsionada pelos venezuelanos em uma constante ascensão, independente de bolhas.

Índice de uso do Bitcoin por pessoa em cada país revela a sua utilidade

Observar o valor equivalente em dólares de negociação não é suficiente para tentar entender o verdadeiro impacto do Bitcoin em vários países. Os países mais populosos, ricos e conectados à internet naturalmente ofuscam o resto. Para resolver esse problema, Matt desenvolveu uma nova métrica que ajusta esses fatores e retorna uma pontuação que, segundo ele, é o melhor reflexo do impacto do Bitcoin via LBC globalmente. Ele chamou essa métrica de “Usage per (Online) Economic-Person”, ou UP(O)EP.

Assim, para cada país analisado, Matt pegou o valor equivalente em dólares negociado e dividiu pelo número de pessoas que poderiam usar o Bitcoin, medido pelo número de pessoas com acesso à internet. Em seguida, ele dividiu esse número pela paridade do poder de compra per capita o valor relativo naquele país. Mais informações sobre essa métrica podem ser conferidas no artigo original.

No gráfico abaixo, é possível conferir a relação do uso do Bitcoin em cada país ao longo dos anos. Quanto mais escura a cor de um país, maior é o seu UP(O)EP. Você pode selecionar o ano e utilizar o mouse para visualizar o gráfico interativo abaixo, ou simplesmente clicar em "Play" (se estiver pelo celular, visualize na horizontal):

 

Pelos dados analisados por Matt, pode-se verificar diferentes acontecimentos dos últimos anos: a crise econômica e política na Venezuela, a invasão da Crimeia pela Rússia e suas sanções internacionais, as ações da China contra o Bitcoin, a revolução do M-Pesa no Quênia, os esquemas de pirâmide na África do Sul, entre outros.

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Utilidade do Bitcoin é maior em países com menos liberdade econômica

O autor também faz algumas inferências mais genéricas, analisando que o uso do Bitcoin começou em países desenvolvidos, mas migrou para países menos desenvolvidos com o passar dos anos. Além disso, países com restrições monetárias criam condições favoráveis à adoção do Bitcoin, mas a facilidade de acesso à internet ou a smartphones é crucial para isso.

Matt também verificou que a adoção do Bitcoin tem aumentado consideravelmente em países onde os níveis de liberdade econômica são mais baixos. Assim, o Bitcoin tem maior utilidade em países economicamente oprimidos, como a Venezuela, o Quênia e a Nigéria.

Você pode conferir mais análises, detalhes e até mesmo gráficos interativos dessa pesquisa no artigo original.